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  • Psicóloga Maria Aparecida Coelho

Professor, você está esgotado?

Atualizado: 17 de Set de 2020

Entenda mais sobre a Síndrome do Esgotamento Profissional e como ela pode estar te afetando na pandemia



Recentemente, vários vídeos viralizaram na internet com professores em dificuldade para dar aulas online e se adaptar às novas plataformas. Tive a oportunidade de ver alguns deles e em um, mais especificamente, a professora se estressava a tal ponto que simplesmente saía correndo da sala online. Você se identifica com esse “efeito pandemia”? Vamos entender melhor o que é!


Com o surgimento do novo coronavírus e para conter a pandemia, a Organização Mundial de Saúde determinou protocolos de quarentena e distanciamento social. Para seguir esses protocolos, as redes de ensino precisaram ajustar a modalidade de ensino presencial para a modalidade de ensino a distância (EAD) . A prática da docência EAD foi ampliada do ensino fundamental até os cursos de graduação e de outras modalidades.




Para os docentes do ensino fundamental e do ensino médio, em que as aulas aconteciam somente na modalidade presencial, a migração para o virtual é uma nova realidade. Com a nova mudança surgiram os sentimentos de medo e insegurança. Inúmeros professores têm dificuldade em utilizar as ferramentas digitais, os serviços e

aplicativos, além do fato de não terem recebido nenhum treinamento pedagógico/tecnológico nesse sentido.


Somado à isso, ainda precisam ser muito mais inovadores e criativos, tentando driblar a jornada de trabalho doméstico, lecionar, ensinar os filhos e dar apoio aos pais dos alunos. Com a rotina completamente mudada e bastante pesada, encontram-se sobrecarregados.


Conseguir manter a disciplina, a atenção e o foco dos alunos para a nova modalidade de ensino, não tem sido uma tarefa fácil. Há ainda, o fato de que muitos pais passaram a fazer contato diário - eles ficam ansiosos e estressados, em tentar ajudar os filhos, com as novas interações com o ambiente virtual.



Além dos desafios citados acima, o docente ainda sofre um alto nível de cobrança por parte dos diretores, muita pressão, aumento de demandas gerando sobrecarga de trabalho e o temor de ser demitido. A consequência é o estresse exacerbado culminando em um grande esgotamento físico e mental. As expectativas com o trabalho tornam-se frustrantes e surge uma grande insatisfação com o mesmo, fomentando o surgimento da Síndrome de Burnout.


O Ministério da Saúde (2002) define a Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, como um tipo de resposta prolongada a estressores emocionais e interpessoais crônicos no ambiente de trabalho e a incluiu na relação de doenças ocupacionais,classificando-a como um transtorno mental e do comportamento relacionado ao trabalho, por meio do Código Internacional de Doenças, código Z73.0 (Organização Mundial de saúde [OMS], 2000S).


A Síndrome de Burnout é um transtorno psicológico em que os sintomas são caracterizados por exaustão física, mental e emocional. A pessoa pode sentir falta de prazer, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de raciocinar, insônia, sentimento de inferioridade, baixa autoestima, desmotivação e falta de criatividade. Os sintomas físicos são dores no corpo, dor de cabeça, enxaqueca, fadiga, pressão alta, problemas gastrointestinais, alteração nos batimentos cardíacos, dentre outros.


Professor, você apresenta alguns desses sintomas relacionados acima? Se você estiver apresentando a maioria desses sintomas (não ignore os sintomas físicos e emocionais!), é bem provável que você esteja sofrendo da Síndrome de Burnout. Mas, se você estiver apenas muito cansado e estressado, vou te dar algumas dicas para a prevenção contra a Síndrome:


● Mantenha uma rotina diária;

● Não permita que os horários das aulas sejam extrapolados;

● Aprenda a dizer “não” para evitar acúmulo de funções e sobrecarga de trabalho;

● Compartilhe com colegas suas dificuldades e também aprendizados;

● Descanse adequadamente;

● Pratique atividades físicas;

● Realize atividades prazerosas;

● Pratique a meditação;

● Mantenha contato com as pessoas que você ama.


É muito importante que você, docente, construa o seu bem estar e mantenha um equilíbrio entre trabalho, família, lazer e todos os outros aspectos de sua vida. Saiba que é imprescindível cuidar bem da sua saúde mental. Mas, se você estiver com a Síndrome de Burnout, é aconselhável que procure a ajuda dos profissionais da saúde mental. O tratamento sugerido é a psicoterapia, mas em determinados casos pode ser necessário o tratamento medicamentoso também.

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